Lisboa, uma cidade de desassassego
Fotografias e sons de uma nostalgia do presente!


Eu sou a periferia de uma cidade que não existe…
Sou a cena viva passaram vários intervenientes,
jogando diversas peças…
Fernando PESSOA


O acto fotográfico, ou seja este momento onde desencadeia-se o objectivo sob a pressão do índice é um breve mas intenso momento de desagrado : aquele que causa a nostalgia de um presente que se desmaia. Richard Avedon dizia que fotografava por obsessão do que ia desaparecer.
Ao momento onde o diafragma do objectivo fecha-se novamente algo do momento vivido desaparece, dando lugar ao passado : a fotografia, vestígio certamente, mas casca vazia do qualquer implícito que fez de apoiar sobre o causa. E mesmo que a foto é bem sucedida, será para todos os tipos de razões que nada têm a ver com o encontro que se produziu aquando do desencadeamento e que tentei em vão reter por uma imagem enquanto que era da competência do subjectivo. Pela fotografia substituí um elemento formal para o inefável da emoção que este encontro lá provocou.
Não existiu nada do que impressiona a película verdadeiramente. O que resta é o vestígio de um momento de eternidade cujo objecto já tem-se deslocado, cuja luz é alterada muito rapidamente, do qual a cor saturou-se o desaturou-se. Um momento de falsa eternidade porque o objecto fotografado, mesmo se perpetua-se na sua forma, as suas dimensões e a sua localização não será nunca mais, não aparecerá nunca mais, da mesma forma mesmo que seja da mesma forma.
Qualquer fotografia oculta a dor da saudade para os presentes que se duplica de uma nostalgia do possible . Foi-se necessário certamente de pouco de modo que o enquadramento quer diferente, de modo que a utilização da luz quer outro, de modo que o plano quer mais ou menos aproximado. Neste encontro instantâneo que teve lugar o que errou, que não viu? Não somente o presente desmaiou-se mas teria podido ser diferente, outro dos pontos de vista afastados, de todas as opções não escolhidas, outro do que teria podido ser diferido, outro do que não o foi. Para Depardon o quadro é “dor”. Na fotografia há a irreversibilidade e Wladimir JANKELEVITCH fala da irreversibilidade como objecto de qualquer nostalgia e dado que teria podido ser outro o instantâneo é outro.
Pela sua existência a fotografia anula todos os possíveis, eliminando assim qualquer estudo da evolução das línguas no tempo. Na fotografia o outro torna-se hipotético, o que faz que o seu assunto é hipotético dado que privado dos contrastes do que poderia ter sido.
Porque portanto escolher Lisboa para dar conta desta nostalgia do presente? Lisboa é a única cidade dos meus conhecimentos para a qual tenho uma verdadeira nostalgia . Verdadeira porque se sei porque reexaminaria Veneza ou Salamanca não sei o que leva-me a retornar à Lisboa; diferentemente talvez que pelo desejo “perder” tempo, de provar o desagrado desta perda que regenera o desejo e crescimento a retornar ainda para não haver como Pessoa único da inexistência. Nenhuma outra cidade tem esse encanto afectado e doloroso o evasivo porque nada tem sempre o mesmo. Lisboa: Cidade do desassassego porque destila este sentimento complexo e ineffable, ou mesmo dramático, de melancolia que o Fado traduz de maneira emocional.
É por isso que, em Lisboa, como os heteronimos de Fernando PESSOA que vivem apenas porque escrevem, vivo apenas porque fotografo com a nostalgia deste presente que se escapa e que empurra-me a uma outra fotografia que própria chama outra numa tentativa vã de reter o tempo para não envelhecer. Medo do futuro de uma inexorável morte motor de uma criação que se fabrica uma posteridade.
Para dar conta desta nostalgia do presente os sons de Marion DUPRESSY são que mais necessários. Na sua percepção e a sua concepção sonora Marion retrata a efêmera som proíbe qualquer momento, juntamente com um aleatória frustrante qualquer repetição... Recordando bem como todo tem lugar apenas uma vez, único nada que vivemos não podemos repetir-se, excepto para ser colada no mortal. Manifestando que foi-se necessário de pouco que qualquer seja diferente dado que aleatório. Pelo seu trabalho sobre o vocal, Marion deixa entender igualmente algo anterior à existência, perceber algo que tenta existir não estaria único pela respiração sonora (guizo ou grito asfixiado) ; tipos de nostalgias do presente invertidas porque trabalhar sobre os limbos da linguagem é uma maneira de reter ocorrer-o do presente.
Além disso, “fazendo falar” estas vozes dos limbos, Marion nos de volta na nossa infância feita tragédias a incapacidade de atribuir a expressão a voz sussurrar para nós.
A obra de Fernando PESSOA, inseparável aos meus olhos de Lisboa, traduz no plano literário esta aflição da impossibilidade de traduzir em linguagem dialógica as vozes que fala de nós. Como o escrito Francisca Laye, tradutora “do Livro do desassassego”: “Ele forjou uma nova linguagem, para nos levar para o limiar da inqualificável. É a frase désarticule viola a sintaxe, introduzido rupturas, síncope, reconciliações brutais, coexistência de palavras que não podem, por natureza, coexistir - curto convulse a sua linguagem, gastando dos recursos da língua”. Por esta sintaxe específica, a poesia de língua do inqualificável, PESSOA põe em cena uma verdadeira tragédia do dado que a voz interna pertence apenas à o que pode entender-o dentro si. Isto é acrescido de uma votação legível umas das outras por dizer que isso aconteça. É para além de qualquer diferença, porque fora de qualquer possibilidade de diálogo representação, um sinal de marca da alteridade. Por isso, é um presente para lá o que significa, a verdade é que a melancolia em que se torna PESSOA “pintor de palavras” na falta de ser orador.
É esta pintura das palavras, terceiro pólo desta exposição, que propomos ao visitante-espectador, sob a forma de textos a ler dentro de si mesmo.
Todo que vivemos é irrecuperável e um sentimento de impotência que resulta nasce a nostalgia de um tempo primitivo onde tínhamos a certeza que éramos os inventores da nossa vida e acontecimentos. Saudade pelo qual tentamos em vão substituir o efeito ao efémeros. Saudade do efémero às quais convidamo-los.

Jacques DUPRESSY,
Saint-Sixt, Julho 2007
Traduction : Hélèna ANDRE– DUPRESSY

Lisboa, Crónicas de uma nostalgia do presente